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Letra de Elegia Sanjoanina

Foi no ano passado Na noite de São João Andava o baile animado E eu todo engatatãoFui parar aos braços dela No meio da confusão Fitei-a lá bem nos olhos Não mais a larguei da mãoDançamos num rodopio Bebemos vinho e cerveja Acordamos manhã alta Nas traseiras de uma igrejaEla disse: Estou quilhada O meu pai vai-me matar E eu disse: Está descansada Que eu vou lá para o enfrentarTenho pena, mas sou um teso Nada tenho p'ra te dar A não ser um lume aceso Para te abrasarUoh-uoh-uohFalei-lhe de homem para homem Quais as minhas intenções Eu trabalho e sou honesto E sem grandes ambiçõesAi eu cá para a minha filha Quero alguém que tenha peso Não gastei tanto a criá-la Para a vir casar com um tesoEla é boa na costura E sabe cozinha francesa Toda ela é finura Bom trato e delicadezaJá ganhou um concurso Do vestido de chita Queria você, um sem curso Levar coisa tão bonitaTenho pena, mas sou um teso Nada tenho p'ra te dar A não ser um lume aceso Para te abrasarUh-uh-uoh-ohUh-uh-uh-uh-uhDisseste que eu era demais Quase me chamaste artista Nas carícias dos portais Mas era tudo fogo de vistaHoje talvez nada te falte Teu homem é doutor Mas o teu olhar perdeu Daquela noite o fulgorTenho pena, mas sou um teso Nada tenho p'ra te dar A não ser um lume aceso Para te abrasarUoh-uoh-uoh-oh