Letra de A Fábrica Do Poema (Album Version)
Sonho o poema de arquitetura ideal Cuja própria nata de cimento encaixa palavra por palavra Tornei-me perito em extrair Faíscas das britas e leite das pedrasAcordo e o poema todo se esfarrapa, fiapo por fiapo Acordo, o prédio, pedra e cal, esvoaça Como um leve papel solto à mercê do vendo E evola-se, cinza de um corpo esvaído de qualquer sentidoAcordo, e o poema-miragem se desfaz Desconstruído como se nunca houvera sido Acordo, os olhos chumbados pelo mingau das almas E os ouvidos moucos Assim é que saio dos sucessivos sonosVão-se os anéis de fumo de ópio E ficam-me os dedos estarrecidos Metonímias, aliterações, metáfora Oxímoros sumidos no sorvedouroNão deve adiantar grande coisa Permanecer à espreita No topo fantasma da torre de vigia Nem a simulação de se afundar no sono Nem dormir deverasPois a questão-chave é Sob que máscara retornará o recalcado? Sob que máscara retornará? Sob que máscara?