Letra de Experiência
Era uma vez num verão Num dia claro de luz Há muito tempo, um tempão Ao som das ondas azuisEra uma luz, um clarão Um insight num blecaute Éramos nós sem ação Como quem vai a nocauteEra uma revelação E era também um segredo Era sem explicação Sem palavras e sem medoUuh, vai, vai!Era uma contemplação Como com lente que aumenta Era o espaço em expansão E o tempo em câmara lentaEra tudo em comunhão Com o um e tudo à solta Era uma outra visão Das coisas à nossa voltaE as coisas eram as coisas A folha, a flor e o grão O sol no azul e depois as Estrelas no preto vãoE as coisas eram as coisas Com intensificação Que as coisas eram as coisas Porém em ampliaçãoEra como se as víssemos Entrando nelas então Com sentidos agudíssimos Desvelando seu desvãoIndo por entre, por dentro Aprendendo a apreensão De tudo bem dês do centro Do fundo, do coraçãoEra qual uma lição Del viejo brujo don Juan Uma complexa questão Sem nexo qual um koanUm signo sem tradução No plano léxico-semântico Enigma, contradição No nível de um campo quântico (Enigma, contradição no nível de um campo quântico)Era qual uma visão De um milagre microscópico O infinito num botão E em ritmo caleidoscópicoCiclos de aniquilação E criação sucessiva Átomos em mutação Cósmica dança de Shiva Shiva, Shiva, Shiva, Shiva, ShivaE as coisas ao nosso ver Davam no fundo a impressão De ser de ser e não-ser A sua composiçãoComo a onda tão etérea E a partícula não tão Num ponto tal da matéria Tanto 'tão quanto não 'tãoAté que ponto resistem A lógica e a razão Já que nas coisas existem Coisas que existem e nãoO que dizer do indizível Se é preciso precisão Pra quem crê no que é incrível Não devanear em vão (Não devanear em vão, não devanear em vão)Era uma vez num verão Num dia claro de luz Há muito tempo, um tempão Ao som das ondas azuisE as coisas aquela vez Eram qual foram e são Só que tínhamos os pés Um tanto fora do chãoE as coisas aquela vez Eram qual foram e são Só que tínhamos os pés Um tanto fora do chãoSó que tínhamos os pés Um tanto fora do chão
